A Joaninha

Foi numa terça-feira ensolarada que recebi a sua visita. Tão pequenina a joaninha que pousou em minha mão. De forma tão natural, me pareceu que ela havia esperado o dia todo justamente para me encontrar ali, sentada no estreito banco de madeira em frente ao lago calmo do Parque dos Macaquinhos, a quilômetros de distância da minha cidade natal.
Com a palma da mão estendida, observei a delicadeza da pequena criaturinha, que parecia me encarar de volta com seus diminutos olhos. Seu corpo era de um tom laranja avermelhado, assemelhando-se ao por do sol nas noites serenas de outono.  Suas pintinhas pretas me lembravam os pingos dos is que eu costumava escrever quando era mais nova, em formato de bolinha ao invés de pingos. A joaninha era repleta de bolinhas, de tamanhos e formatos irregulares, exatamente como a escrita de uma criança.

Névoa

A poesia está nos olhos do fraco
Na desesperança do futuro embargado
Na cinza pálida que cobre as manhãs
Enevoadas

Da janela aberta só entra angústia
Longe dela, o sol, a brisa, a vista da rua
O espelho da alma, distante, reflete
Tão perto de mim

A neblina encobre a poesia
Da varanda, palavras vazias
O primeiro raio que brilha, instiga
Janela para um mundo nebuloso...


Sopro

Acordei querendo sentir aquela euforia de que o mundo é meu, de que o ar que inspiro é repleto de poesia, diminutas partículas de vida que instigam meu cérebro, como cafeína.
Acordei querendo sentir que o momento é agora, que o presente é a maior dádiva que poderíamos ganhar, que o futuro é só uma partícula de poeira ao vento. Que essa partícula somos nós, dançando e sendo levados para onde for preciso, atravessando os quatro cantos de um mundo tão vasto, tão belo, tão plano.

Significância

Se me perguntarem hoje o que é a vida, acho que não consigo pensar em nenhuma resposta pronta. O sentido da mesma? Sei menos ainda. Mas se há algo em que acredito é que estamos aqui por algum motivo que não o de apenas existir.
Aliás, hoje também resolvi fazer algumas contas. Sei que um dia tem 24 horas e um ano 365 dias. Se considerarmos a média de vida do homem de 70 anos, então teremos 25.550 dias e 613.200 horas a serem vividas. Poxa, é tempo demais para não significar nada.

Quando tudo vai pelos ares

Ficar triste? Não adianta.
Desanimar, chutar a parede, gritar aos quatro ventos? Nada disso muda nadinha de nada.
Nosso mal é pensar que temos uma vida segura e estável, seja no âmbito amoroso, financeiro ou profissional. Achamos que podemos controlar tudo ao nosso redor, mas não damos conta de que nossa vida é um castelo de cartas e, quando menos esperamos, vem uma lufada de vento e leva tudo pelos ares.

Ajude-nos a publicar este livro!

Pré-venda: Nove Círculos
Organizador: Maurício Coelho

Antologia sobre os 9 círculos do inferno de Dante Alighieri:
- Primeiro Círculo, o Limbo 
- Segundo Círculo, Vale dos Ventos
- Terceiro Círculo, Lago de Lama
- Quarto Círculo, Colinas de Rochas
- Quinto Círculo, Rio Estige
- Sexto círculo, Cidade de Dite/Dis
- Sétimo círculo, Vale do Flegetonte
- Oitavo círculo, o Maleboge
- Nono Círculo, lago Cocite 


Por que o financiamento coletivo?

Simples, porque conseguir publicar através de uma editora pode ser um processo longo e frustrante. Além disso, o investimento é muito alto para que um pobre escritor arque sozinho. Mas com ajuda, o sonho pode tornar-se realidade sem pesar para ninguém. E a intenção, além da realização pessoal, é permitir com que o público conheça novas histórias de novos - e talentosos -  autores brasileiros.
Orçamento
Para viabilizar o livro serão necessários R$ 560 que vão custear a diagramação, a adequação do eBook para as principais plataformas digitais, a elaboração da capa, registro e obtenção do ISBN e as taxas do Kickante.
Como posso colaborar?
Basta escolher um dos valores e esperar pela recompensa.
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Ilhabela da depressão

Há alguns meses precisei escrever uma crônica humorística para a Oficina de Criação e Edição Literária (que frequento pela Prefeitura de Jundiaí, ministrada pelo excelente escritor André Kondo). Não sei se gostei do resultado, pois humor não é o meu forte rs. Mas resolvi compartilhá-la, afinal, esse tempo lindo que anda fazendo em São Paulo pede uma praia, não? Então, boa viagem!

Ilhabela da depressão

Quem já viajou para Ilhabela sabe o quanto ela se assemelha a um pedacinho do paraíso, localizado no litoral paulista. Seja pelas águas cristalinas, pela areia limpinha das praias ou pela paisagem abundante da natureza que a emoldura.
Cheguei à Ilhabela numa tarde nublada de sexta-feira. Decidi conhecer a Praia do Curral, pois como o recepcionista da pousada em que me hospedei disse, era um pé aqui e o outro ali e eu chegaria, perto, perto. Esse pé aqui e o outro ali durou quase uma hora de caminhada. Tudo bem, afinal, uma caminhadinha não faz mal a ninguém. Quando cheguei à praia, a vista das ondas colidindo calmamente na areia clara, mesmo que não houvesse sol, foi o suficiente para me fazer esquecer o pequeno contratempo. Uma pena que também me esqueci do repelente contra insetos, até porque seria apenas um pulinho rápido na praia, não é mesmo? Enquanto o repelente repousava tranquilamente na pousada, a caminhadinha rápida pela areia úmida foi o suficiente para me fazer ser atacada mais de dez vezes pelos borrachudos. Obviamente, nos próximos dias, as picadas incharam e ficaram do tamanho de tomates maduros, trazendo uma sensação nada refrescante ao molhá-las na água do mar. Lição nº 1 – Nunca subestime um borrachudo!

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Criado por: Andréa Bistafa.
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