Prisão

Tento me trancar dentro de mim mesmo
Tento sair desesperadamente
Não consigo

Lá fora assusta
A claridade
Aqui dentro as trevas
Me sufocam

A sensação não é essa
Essa vida não é minha
Ou talvez seja...
Um outro dia

É o algo a mais
Que me cerca
E a incerteza na vida
Que me leva

[para longe]


Humanidade

Seja luz num mundo de breu,
Seja amor mesmo no caos,
Seja a esperança que se dispersa para os que já desistiram.
Se não puder ser muito, seja bom,
Seja pouco, mas seja dom,

O mundo está clamando por humanidade.



O homem que não sorria

Marco Simões era um homem tão sério que raramente esboçava um sorriso. Como Diretor Comercial de uma importante empresa do ramo da moda, o empresário acostumou-se a manter a postura séria e autoritária, de forma a impor respeito aos funcionários. Seu semblante, de tão fechado, tornou-se uma espécie de máscara. Mesmo longe do trabalho, nos raríssimos momentos com a esposa, sua carranca continuava presente.
Luci já havia se acostumado com a expressão séria do marido. Ela o considerava um bom homem, apesar dos poucos momentos que dispunham juntos, afinal, Marco estava sempre muito atarefado, seu trabalho tomava-lhe praticamente todo o tempo. A esposa tentava e tentava, mas nunca conseguia roubar-lhe um sorriso, que até poderia se formar em sua alma, mas sumia e morria antes de se materializar em seu rosto.
Nada parecia conseguir estampar um riso na face do homem. Nem mesmo os longos meses de gestação da esposa conseguiram tal proeza. O marido se sentia feliz, mas não conseguia expressar. Foram tantos anos sem sorrir que seu cérebro parecia ter se esquecido de como fazê-lo, como se os músculos do sorriso tivessem atrofiado. Marco não sabia mais sorrir, a carranca amarga do trabalho o acompanhava, querendo ou não, para aonde quer que fosse.

Quando paramos de pensar?

A globalização trouxe tudo ao alcance das mãos. Ou ao alcance de um clique, melhor dizendo. A tecnologia fez maravilhas pelo mundo moderno e somos frutos de uma era onde tudo se encontra fácil e sem o menor esforço.
Por outro lado, estamos tão envoltos em rotinas cada vez mais apressadas que fazemos quase tudo no modo automático. Precisamos trabalhar, estudar, limpar a casa, cuidar dos filhos, resolver problemas pessoais, fazer compras, tudo em apenas vinte e quatro horas diárias. E, é claro, quando sobra tempo também queremos assistir ao futebol, ao filme novo ou à novela das nove.
E deixamos cada vez mais de pensar. Temos tudo tão fácil que o livre arbítrio, a vontade de buscar a essência da vida, de buscar conhecimento, é deixada de lado pelas necessidades e pelo supérfluo do dia-a-dia.

Apreço

A menina corria sorridente pela casa, totalmente alheia ao fato das delicadas sandálias escorregarem no piso liso. Trazia consigo, segurado com firmeza em uma das mãos, um pequeno pedaço do que um dia foi uma manta de crochê.
A tira de pano era pequenina e em formato retangular, parecendo, aos olhos dos outros, apenas um pedaço de pano inútil. Até poderia ser. Mas não para a garota.
Nos breves momentos em que não estava correndo, a menina repousava o tecido logo abaixo do nariz. Aliás, foi dessa mania que surgiu o seu nome.
Cheirinho.

Wattpad - Pequena como grão de areia

      Boa tarde!
      Há alguns meses comecei a escrever um romance New Adult que une fantasia com uma pitada de ficção científica e se chama "Pequena como grão de areia". Decidi publicar ele no Wattpad por capítulos, e gostaria muito de receber seus comentários e sugestões sobre a história ♥
   Como funciona: Basta acompanhar o link e conhecer a trama aos pouquinhos (cada capítulo possui de 2 a 3 páginas e é rapidinho de ler!)
   Aproveitando: Os livros Taquicardia e outros sintomas do medo e Marcas Indeléveis - Crônicas (ambos do Wattpad), acabaram de ser atualizados! Conheça a crônica reflexiva Flor de Cera ou o breve conto vampiresco com uma pitadinha de humor Entrega sem remetente, acessando abaixo:

Flor de cera

Há um ano eu vi pela primeira vez uma flor de cera. Ah, fiquei encantada com sua beleza! Uma flor que mais parecia um bibelô. Na mesma época, minha mãe ganhou uma muda da graciosa planta. Um vaso, um espaço arejado e lá estava a pequenina criando raízes em nossa casa.
Pouco tempo depois deste episódio, precisei mudar de cidade. Deixei minha terra natal, o conforto da casa dos pais e tudo o que conhecia para morar e trabalhar em outra cidade.
Não foi fácil.
Diria, até mesmo, que foi a coisa mais difícil que já fiz.
Tanta saudade, dificuldade, coisas que eu não tinha ideia de como fazer. Tantos desafios e momentos de reflexão. Uma lista de dias, semanas, meses e anos. Um planejamento. Um futuro. Um desejo.

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Criado por: Andréa Bistafa.
http://i.imgur.com/wVdPkwY.png